23 de mar de 2011

Prática nos vários tipos e estágios de relação (parte II)


 SZERELEM
http://br.olhares.com/szerelem_foto4415453.html



O lama então retorna à primeira abordagem dos vários estágios de um relacionamento e mostra como a prática deve ser sempre a mesma. Meu resumo aqui ficou ridículo, mas compartilho anyway:


•Situação 1: A pessoa quer se apaixonar, não encontra ninguém e fica em depressão pois sua energia não circula. Na verdade, isso acontece pois ela tem pouco amor pelos outros. Ou seja, ela vê poucas qualidades nos outros e não trabalha por seu florescimento. A saída é praticar Metta Bhavana, cuidar de uma planta, se
interessar pelo mundo dos outros.

•Situação 2: A pessoa tem energia fluindo, mas não encontra alguém por quem se apaixonar. Ela não precisa sair ficando com vários em uma noite! Basta ela não limitar essa energia a poucos seres.


•Situação 3: Ela já tem uma paixão, mas não conseguiu agarrar a pessoa. O problema então seria ficar dependente do outro. “Quem sofre por amor não correspondido não ama o suficiente”. Temos de aprender a amar unilateralmente, unidirecionalmente.

•Situação 4: A pessoa encontrou e ficou com alguém. Ainda assim, se seu amor se restringir ao parceiro, isso é muito pouco. Temos de amar todos, não apenas um ser.

•Situação 5: 3 anos de relação estável, na qual ambos se apóiam e se sustentam na prática. A mesma coisa: Metta Bhavana.

Situação 6: Estão se separando, há um esgotamento da relação. Entretanto, a relação só será mais afastada, nunca se romperá. Metta Bhavana aqui também.

•Situação 7: O casal já está separado. É bom que a relação passada fique curada, para o bem do outro e para a o nosso também (menos aflições, menor dor). Para isso, mesmo se não houver encontro, a prática deve ser feita unilateralmente.

Seja qual for o tipo ou o estágio da relação, nós vamos usar o mesmo método. A prática das 10 qualidades (amor, compaixão, alegria, equanimidade, generosidade, moralidade, paz, energia constante, concentração, sabedoria) é sempre livre de contra-indicação.

•Com essa prática, não há bóias, só espaço. Existe o criador das bóias. Não somos identidades que andam. Somos seres livres que se posicionam.

Dica essencial para homens e mulheres


Aqui o lama entrou em um dos pontos mais profundos do relacionamento homem-mulher, algo que sempre me atraiu (já escrevi sobre essa prática aqui quando falei de Shakti e Shiva).
 Olhe as mulheres como manifestação da natureza feminina. Muitas não entendem ou sabem disso, mas elas são isso. Cada mulher pega as qualidades femininas e pensa: “Eu sou isso”. Mas ela vai perder aquilo… Aquilo se manifesta por um tempo e depois vai aparecer em outras mulheres.
•Depois olhem os homens. Eles também são apenas expressões da natureza masculina.
•As qualidades são impessoais e nunca cessam. Elas só trocam de corpos, só surgem em mil relações variadas.
•Olhamos esse brilho, essa magia. Vemos que não há posse, que nada disso nos pertence. Nossa prática será então a de reverenciar, sustentar e usar (enquanto der) essas qualidades.

Últimas considerações:
•No budismo, há um ceticismo último. Nada é reificado. “Não há nada ali dentro” (vacuidade): só liberdade, só espaço. Assim com a realidade exterior, assim é com as pessoas, assim é com nossa mente, assim é com nosso passado, presente e futuro.
•Pensamos: “Eu entendo, mas a MINHA relação é exceção. Eu gostei dessa visão de amor, mas com ELA é impossível praticar isso, ELA não tem qualidades positivas!”. Temos vários obstáculos e damos solidez às nossas prisões.
•Temos de interromper a negatividade do outro (compaixão irada) para protegê-lo de si mesmo. Essa ação é a favor do outro, não contra. Em ações violentas, o importante é manter a motivação correta de agir em benefício do outro, com lucidez, sem automatismos impulsivos.
•Temos um instinto natural para a poligamia. Mas em determinadas sociedades ela é inviável. No Tibet, brinca-se: “1 cavalo, riqueza. 2 cavalos, mais riqueza. 1 mulher, riqueza. 2 mulheres, prejuízo”. ;-)


O lama falou de outras culturas nas quais a poligamia é válida e não gera sofrimentos. Depois alguém perguntou: “Lama, uma pessoa iluminada ainda possui emoções, desejo, rola sexo?”. O lama: “Por que não?”.
Se algo o incomodou ou lhe pareceu errado, por favor vincule tudo à minha pessoa, às minhas anotações. Dirija sua discordância
Dedico esses ensinamentos a todos os que estão sofrendo em suas relações atuais. Que todos possam liberar seus obstáculos.
                                                                                                                                por Gustavo Gitti


* Para quem quiser praticar meditação: www.cebb.org.br e www.dharmanet.com.br



















Nenhum comentário: