15 de dez de 2009

FRASE DO DIA

"Minha alma tem o peso da luz. Tem o peso da música. Tem o peso da palavra nunca dita, prestes quem sabe a ser dita. Tem o peso de uma lembrança. Tem o peso de uma saudade. Tem o peso de um olhar. Pesa como pesa uma ausência. E a lágrima que não se chorou. Tem o imaterial peso da solidão no meio de outros."
                                                                                                                        Clarice Lispector

14 de dez de 2009

O amor eterno



Saudade. Palavra comumente usada para designar a falta que se sente de outrem, quer seja um ente querido, um amigo ou o ser amado.

Ela, a palavra saudade me faz lembrar de uma música do  Luiz Gonzaga:

Se a gente lembra só por lembrar
Do amor que a gente um dia perdeu
Saudade inté que assim é bom
Pra o cabra se convencer
Que é feliz sem saber
Pois não sofreu

Porém se a gente vive a sonhar
Com alguém que se deseja rever
Saudade entonce aí é ruim
Eu tiro isso por mim
Que vivo doido a sofrer

Saudade, ao menos para mim, pode ser um sentimento que cause bem-estar, quando se lembra de algo bom, uma boa lembrança do passado, mas também pode ser ruim quando da ausência por circunstâncias alheias a nossa vontade, como a distância física…

De qualquer forma, lembrei-me de um texto, do médico oncologista clínico Rogério Brandão, onde ele falava de uma experiência que tivera com um de seus pacientes terminais, uma criança iluminada. Melhor do que explicar para vocês é compartilhar a história na íntegra, escrita por ele mesmo. Assim, ei-la:
Um dia, um anjo passou por mim…


No início da minha vida profissional, senti-me atraído em tratar crianças, me entusiasmei com a oncologia infantil. Tinha, e tenho ainda hoje, um carinho muito grande por crianças. Elas nos enternecem e nos surpreendem com suas maneiras simples e diretas de ver o mundo, sem meias verdades.

(...)

Recordo-me com emoção do Hospital do Câncer de Pernambuco, onde dei meus primeiros passos como profissional. Nesse hospital, comecei a freqüentar a enfermaria infantil, e a me apaixonar pela oncopediatria. Mas também comecei a vivenciar os dramas dos meus pacientes, particularmente os das crianças, que via como vítimas inocentes desta terrível doença que é o câncer.

Com o nascimento da minha primeira filha, comecei a me acovardar ao ver o sofrimento destas crianças. Até o dia em que um anjo passou por mim.

Meu anjo veio na forma de uma criança já com 11 anos, calejada porém por 2 longos anos de tratamentos dos mais diversos, hospitais, exames, manipulações, injeções, e todos os desconfortos trazidos pelos programas de quimioterapias e radioterapias.

Mas nunca vi meu anjo fraquejar. Já a vi chorar sim, muitas vezes, mas não via fraqueza em seu choro. Via medo em seus olhinhos algumas vezes, e isto é humano! Mas via confiança e determinação. Ela entregava o bracinho à enfermeira, e com uma lágrima nos olhos dizia: “faça tia, é preciso para eu ficar boa”.

Um dia, cheguei ao hospital de manhã cedinho e encontrei meu anjo sozinho no quarto. Perguntei pela mãe. E comecei a ouvir uma resposta que ainda hoje não consigo contar sem vivenciar profunda emoção.

Meu anjo respondeu:
- Tio, disse-me ela, às vezes minha mãe sai do quarto para chorar escondida nos corredores. Quando eu morrer, acho que ela vai ficar com muita saudade de mim. Mas eu não tenho medo de morrer, tio. Eu não nasci para esta vida!

Pensando no que a morte representava para crianças, que assistem seus heróis morrerem e ressuscitarem nos seriados e filmes, indaguei:

- E o que morte representa para você, minha querida?
- Olha tio, quando a gente é pequena, às vezes, vamos dormir na cama do nosso pai e no outro dia acordamos no nosso quarto, em nossa própria cama não é?

(Lembrei que minhas filhas, na época crianças de 6 e 2 anos, costumavam dormir no meu quarto e após dormirem eu procedia exatamente assim.)

- É isso mesmo, e então?
- Vou explicar o que acontece, continuou ela: Quando nós dormimos, nosso pai vem e nos leva nos braços para o nosso quarto, para nossa cama, não é?
- É isso mesmo querida, você é muito esperta!- Olha tio, eu não nasci para esta vida! Um dia eu vou dormir e o meu Pai virá me buscar. Vou acordar na casa Dele, na minha vida verdadeira!

Fiquei “entupigaitado”. Boquiaberto, não sabia o que dizer. Chocado com o pensamento deste anjinho, com a maturidade que o sofrimento acelerou, com a visão e grande espiritualidade desta criança, fiquei parado, sem ação.

- E minha mãe vai ficar com muita saudade de mim, emendou ela.


Emocionado, travado na garganta, contendo uma lágrima e um soluço, perguntei ao meu anjo:

- E o que saudade significa para você, minha querida?
- Não sabe não tio? Saudade é o amor que fica!


Hoje, aos 53 anos de idade, desafio qualquer um a dar uma definição melhor, mais direta e mais simples para a palavra saudade: saudade é o amor que fica!
Um anjo passou por mim…
Foi enviado para me dizer que existe muito mais entre o céu e a terra, do que nos permitimos enxergar. Que geralmente, absolutilizamos tudo que é relativo (carros novos, casas, roupas de grife, jóias) enquanto relativizamos a única coisa absoluta que temos, nossa transcendência.

Meu anjinho já se foi, há longos anos. Mas me deixou uma grande lição, vindo de alguém que jamais pensei, por ser criança e portadora de grave doença, e a quem nunca mais esqueci. Deixou uma lição que ajudou a melhorar a minha vida, a tentar ser mais humano e carinhoso com meus doentes, a repensar meus valores.

Hoje, quando a noite chega e o céu está limpo, vejo uma linda estrela a quem chamo “meu anjo”o, que brilha e resplandece no céu. Imagino ser ela, fulgurante em sua nova e eterna casa.

Obrigado anjinho, pela vida bonita que tivestes, pelas lições que ensinastes, pela ajuda que me destes.



Que bom que existe saudade! O amor que ficou é eterno.
É… Realmente, saudade é o amor que fica. Esse sentimento universal de bem querer, que se sente por quem se ama incondicionalmente.
E se o amor verdadeiro é eterno, eterna será também a saudade.
De qualquer forma é fundamental ter paciência e fé, pois um dia os verdadeiros laços que unem pessoas que se amam as aproximará novamente. Isso é tão certo como a morte do corpo físico, que chegará para todos mais cedo ou mais tarde.
Fico com a minha  minha saudade...obrigada meu anjo lindo!






13 de dez de 2009

FELICIDADES

O primeiro olhar da janela de manhã


O velho livro perdido e reencontrado

Rostos animados

A neve, a sucessão das estações

Jornais

O cachorro

A dialética

Tomar um banho, nadar um pouco

A música antiga

Sapatos macios

A música nova

Escrever, plantar

Viajar, cantar

Ser camarada.
 
Bertold Brecht
 
Esse poema foi escrito por Brecht num momento de grande depressão , acredito que ele escreveu  para lembrar-se das coisas simples que propiciavam alegria ao seu redor...e alegria é o que sinto com o corpo e com a alma quando eles se encontram com aquilo que desejavam.
Esse texto dá oportunidade para que cada um de nós possamos refletir e elencar as nossas " coisinhas" simples que nos deixam felizes.
A minha tradução  para o poema seria:
 
          Felicidades
 
Olhar o pôr do sol
O pássaro em vôo
O sorriso da pessoa amada
Ter um cantinho...
Banho de chuva
O barulho do mar
Apreciar uma obra de arte 
Comer doce
O encontro com os cheiros, as cores, os gostos, os sons, as carícias...
Dormir enroscada nos braços da pessoa amada.
 
 
 
 
 
 
 
                          
                    

12 de dez de 2009

Saudade

Saudade

Existem pessoas em nossas vidas que nos deixam felizes pelo simples fato de terem cruzado o nosso caminho. Algumas percorrem ao nosso lado, vendo muitas luas passarem, mas outras apenas vemos entre um passo e outro.


Há muitos tipos de amigos. Talvez cada folha de uma árvore caracterize um deles. O primeiro que nasce do broto é o amigo pai e o amigo mãe. Mostram o que é ter vida. Depois vem o amigo irmão, com quem dividimos o nosso espaço para que ele floresça como nós. Passamos a conhecer toda a família de folhas, a qual respeitamos e desejamos o bem.
Mas o destino nos apresenta outros amigos, os quais não sabíamos que iam cruzar o nosso caminho. Muitos desses denominados amigos do peito, do coração. São sinceros, são verdadeiros. Sabem quando não estamos bem, sabem o que nos faz feliz… As vezes, um desses amigos do peito estala o nosso coração e então é chamado de amigo namorado. Esse dá brilho aos nossos olhos, música aos nossos lábios, pulos aos nossos pés.

Mas também há aqueles amigos por um tempo, talvez umas férias ou mesmo um dia ou uma hora. Esses costumam colocar muitos sorrisos na nossa face, durante o tempo que estamos por perto.

Falando em perto, não podemos esquecer dos amigos distantes. Aqueles que ficam nas pontas dos galhos, mas que, quando o vento sopra, sempre aparecem novamente entre uma folha e outra.

O tempo passa, o verão se vai, o outono se aproxima, e perdemos algumas de nossas folhas. Algumas nascem num outro verão e outras permanecem por muitas estações.

Mas o que nos deixa mais feliz é que as que cairam, continuam por perto, continuam alimentando a nossa raiz com alegria. Lembranças de momentos maravilhosos enquanto cruzavam com o nosso caminho.

Quero você, folha da minha árvore… Simplesmente porque cada pessoa que passa em nossa vida é única. Sempre deixa um pouco de si e leva um pouco de nós.

. Mas não há os que não deixaram nada. Há os que levaram muito
Esta é a maior responsabilidade de nossa vida e a prova evidente de que duas almas não se encontram por acaso.

Agradeço a você amigo pelo simples fato de existir ou de ter existido (acho que nunca vai deixar de existir )  em minha vida!
Lembre-se que a partir de cada amanhecer , quando nos encontrarmos no cosmos , certamente , te darei aquele abraço bem apertado e com toda sinceridade direi... amo vc!
Desejo que simplesmente sinta!

26 de nov de 2009

afinidade






Diferente









Chapada Diamantina
Foto: Judi Menezes



Diferente não é quem pretenda ser. Esse é um imitador do que ainda não foi imitado, nunca um ser diferente.


Diferente é quem foi dotado de alguns mais e de alguns menos em hora, momento e lugar errados para os outros que riem de inveja de não serem assim.


O diferente nunca é um chato. Mas é sempre confundido por pessoas menos sensíveis e avisadas. Supondo encontrar um chato onde está um diferente, talentos são rechaçados; vitórias, adiadas..... Esperanças, mortas.


Um diferente medroso, este sim, acaba transformando-se num chato. Chato é um diferente que não vingou. Os diferentes muito inteligentes percebem porque os outros não os entendem.


Diferente que se preza entende o porquê de quem o agride.


O diferente paga sempre o preço de estar - mesmo sem querer - alterando algo, ameaçando rebanhos, carneiros e pastores. O diferente suporta e digere a ira do irremediavelmente igual, a inveja do comum, o ódio do mediano.


O verdadeiro diferente sabe que nunca tem razão, mas que está sempre certo.


O diferente começa a sofrer cedo, já no primário, onde os demais, de mãos dadas, e até mesmo alguns adultos, por omissão, se unem para transformar o que é potencial em caricatura. O que é percepção aguçada em: "puxa, fulano, COMO VOCÊ É COMPLICADO".


O que é o embrião de um estilo próprio em: "você não está vendo como todo mundo faz?"


O diferente carrega desde cedo apelidos que acaba incorporando. Só os diferentes mais fortes do que o mundo se transformaram nos seus grandes modificadores.


Diferente é o que vê mais longe do que o consenso. O que sente antes mesmo dos demais começarem a perceber.


Diferente é o que se emociona enquanto todos em torno, agridem e gargalham.


É o que engorda mais um pouco; chora onde outros xingam; estuda onde outros burram. Quer onde outros cansam. Espera de onde já não vem. Sonha entre realistas. Concretiza entre sonhadores. Fala de leite em reunião de bêbados. Cria onde o hábito rotiniza. Sofre onde os outros ganham.


Diferente é o que fica doendo onde a alegria impera. Fala de amor no meio da guerra. Deixa o adversário fazer o gol, porque gosta mais de jogar do que de ganhar.


Os diferentes aí estão: enfermos, paralíticos, machucados, inteligentes em excesso, bons demais para aquele cargo, excepcionais, narigudos, barrigudos, joelhudos, de pé grande, de roupas erradas, cheios de espinhas, de mumunha ou de malícia .


Artur da Távola * Alma dos diferentes é feita de uma luz além. Sua estrela tem moradas deslumbrantes que eles guardam para os pouco capazes de os sentir e entender. E....nessas moradas estão tesouros da ternura humana. De que só os diferentes são CAPAZES.

Artur da Távola



Os diferentes são verdadeiramente inteiros... Eu , particularmente, tive o prazer de conhecer algumas moradas da  Estrela de Um Diferente...  Essas moradas , secretamente guardadas , são luminosas e inundadas  de atividade criativa que até parecem estrelas dançantes!!!  Não tente, mas Experimente ser surpreendido (a) por Um  Diferente.
Espero que cada um de nós encontre e saiba de fato estabelecer contato com Um Diferente!

Desejo que cada um possa experimentar o texto e a imagem de diferentes formas  nas suas estrelas dançantes!!

Luz a todos

Judi Menezes

25 de nov de 2009

Desejo

Se eu pudesse deixar algum presente à você, deixaria aceso o sentimento de amar a vida dos seres humanos. A consciência de aprender tudo o que foi ensinado pelo tempo a fora. Lembraria os erros que foram cometidos para que não mais se repetissem. A capacidade de escolher novos rumos. Deixaria para você, se pudesse, o respeito aquilo que é indispensável. Além do pão, o trabalho. Além do trabalho, a ação. E, quando tudo mais faltasse, um segredo: o de buscar no interior de si mesmo a resposta e a força para encontrar a saída

Mahatma Gandhi

É simplesmente um desejo...

Fica  a reflexão!!!

Judi Menezes