12 de dez de 2010

Anticoncepção na Adolescência - Métodos anticoncepcionais

Acredito que a importância crescente que os problemas derivados do exercício da sexualidade estão adquirindo na população jovem está sinalizando claramente a necessidade de aumentar o acesso dos jovens a serviços especificamente dedicados a atendê-los, que estejam capacitados para dar atendimento integral aos problemas de saúde reprodutiva, incluindo contracepção e prevenção de DST e aids. Trago a apenas a titulo de informacao alguns metodos anticoncepcionais , lembrando que nada substitui uma consulta e avaliacao com o seu medico.





Métodos baseados na percepção da fertilidade ou de abstinência periódica


As estatísticas baseadas em estudos populacionais mostram que esses métodos têm uma eficácia média/baixa, o que os faria pouco recomendáveis para as adolescentes que, em geral, precisam de alta eficácia, porque a gravidez representa um risco importante. Por outro lado, estudos clínicos bem controlados mostram que esses métodos, usados corretamente, alcançam uma eficácia aceitável, comparável à dos métodos de barreira.

Além disso, o conhecimento da fisiologia reprodutiva e da maneira adequada de usar esses métodos, pode ser muito útil como complemento para o uso dos métodos de barreira.

Mantendo o conceito básico da livre escolha, o uso desses métodos deveria ser ensinado a todas(os) adolescentes, porque: a) bem utilizados podem ter uma eficácia aceitável, b) podem ser um excelente método auxiliar para aumentar a eficácia dos métodos de barreira, c) por falta de acesso aos serviços, é comum que a mulher inicie a vida sexual sem anticoncepção, sendo a abstinência periódica o único recurso disponível.

Métodos hormonais.

Não há, em geral, restrições ao uso dos anticoncepcionais hormonais na adolescência. Respeitando o direito de escolha livre e informada, as adolescentes podem utilizar estes métodos desde a menarca. As últimas revisões científicas mostram que não há fundamentos para restringir seu uso nos primeiros seis meses ou dois anos após a menarca, como alguns autores preconizaram em algumas publicações. Da mesma forma que nas mulheres adultas, devem ser respeitados os critérios de elegibilidade médica. Entretanto, a OMS recomenda restringir o uso de injetáveis apenas de progestogênio (Depo-provera) antes dos 16 anos, pelo possível risco de diminuir a calcificação óssea e colocar a mulher em risco de osteoporose após a menopausa. As que optarem pelo uso da Depo-provera, deverão ser advertidas de que o retorno da fertilidade depois de suspender o seu uso pode ser mais demorado, mas não leva a esterilidade definitiva.
Da mesma forma que nas mulheres adultas, devem ser evitados os métodos combinados com altas doses de estrogênios.

Métodos de barreira

O preservativo masculino e feminino são os dois únicos métodos que oferecem dupla proteção contra a gravidez e DST/aids. A eficácia deles como anticoncepcionais depende muito da maneira como são usados (técnica e consistência de uso). Estudos clínicos com o preservativo masculino mostram que a eficácia pode chegar a uma taxa de falha de 2-4%, semelhante à da pílula. Os outros métodos de barreira (diafragma, capuz cervical, espermicidas) podem dar alguma proteção contra DIP (doença inflamatória pélvica) e DST, mas não protegem efetivamente contra a Aids. Sua eficácia anticoncepcional, em uso perfeito, pode igualar-se à dos preservativos mas, em uso rotineiro, esses métodos apresentam uma taxa de falha maior.

Atualmente, estão sendo realizadas pesquisas para desenvolver microbicidas, com ou sem efeito anticoncepcional, que tenham efeito contra o HIV e bactérias causadoras de DST. Estes poderiam ser métodos ideais para a mulher proteger-se de DST e aids.

Dispositivo intrauterino (DIU)


Respeitando a escolha livre e os critérios de elegibilidade médica, o DIU com cobre pode ser uma boa alternativa para adolescentes. Os estudos epidemiológicos da OMS mostraram que o risco de infecção pélvica com DIU depende mais da técnica de inserção e da adequada seleção da usuária, do que da idade. A taxa de gravidez do DIU em adolescentes, embora maior que nas adultas, é menor que a taxa de gravidez observada com a pílula em uso rotineiro.

Métodos cirúrgicos permanentes


Os métodos cirúrgicos são de uso excepcional na adolescência. Só estariam justificados em casos de existência de condições clínicas ou genéticas que façam com que seja imperativo evitar a gravidez permanentemente. Esses casos são cada vez mais excepcionais. É importante lembrar que há anticoncepcionais reversíveis de alta eficácia, que oferecem proteção contraceptiva no mesmo nível dos métodos cirúrgicos.

Contracepção de emergência

É um método muito importante para os adolescentes, porque eles pertencem a um grupo que tem maior risco de ter relações sexuais desprotegidas. Só os métodos hormonais de contracepção de emergência, combinados ou só de progestogênios, estão aprovados no Brasil. Os serviços deveriam oferecer informação sobre esses métodos, enfatizando que devem ser usados só para emergências, de forma esporádica, antes de 72 horas depois do coito desprotegido e que não existem contraindicações médicas para seu uso. Recentemente foi registrado no país o primeiro produto específico para contracepção de emergência, apenas de progestogênio, muito efetivo e com menos efeitos secundários que os métodos combinados.

www.saude.gov.br


 Entendo que a  capacitação dos provedores de serviços para adolescentes deverá incluir, além de aspectos técnicos, treinamento em técnicas de comunicação. Todos os serviços para adolescentes deveriam ter um forte componente educativo, com a participação dos próprios adolescentes e deveriam incluir a perspectiva de gênero de maneira explícita.
Trabalhar o gênero na adolescência aparece como uma estratégia fundamental para diminuir o atual desequilíbrio de poder entre os sexos, que é um fator que tem interferido negativamente na qualidade da saúde sexual e reprodutiva. Finalmente, mas não menos importante, consideramos que qualquer esforço para melhorar o atendimento em saúde reprodutiva/planejamento familiar dos adolescentes deve incluir a participação da comunidade, especialmente dos professores e dos pais. Isto poderia contribuir para evitar que os jovens recebam informações discordantes e conflitantes, especialmente mensagens de censura moral e social, provenientes de distintos segmentos da sociedade.
 
Paz e Luz !!!
Judi Menezes

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