18 de abr. de 2012

História sem título...

Eu!!!





E como se, por acaso, acontecesse, vi-me absorta como caindo em queda livre, amarrada ainda por todas as lembranças que batem em mim! Despertar para a realidade do hoje é tão tremendo quanto apagar o passado, tão perto ainda como se fosse o dia seguinte. E eu me questiono, então, em quase toda a vastidão dos quesitos que afloram nesse sábio momento.
Não tem perguntas por fazer e o fantasmagórico nem quer tomar meu fôlego nem me dar a vontade que estabelece regras para sobreviver, agora. Não tem respostas a serem dadas porque o tempo é o senhor e o Deus do suceder dos fatos que ocorreram e passaram de forma atroz durante essa espera estonteante.
Não tem fala a comentar o ocorrido, pois tudo que tinha a dizer foi guardado para o amanhã, que nem sempre chega com o mesmo sabor de hoje. Não tem escuta a fazer do silêncio ensurdecedor que inibe toda a forma de entender o acontecido sem o menor sentido, que justifique a fuga atônita daquele vivenciar que não volta.
Não tem querer que suplante o não pertencer que aponta simplesmente para a covardia do imaginário e infiel futuro, que não se mostra, que não se toca e que, às vezes, não acontece. Não tem repulsa do estar presente, quando o pensar é livre e atende à forma mais simples dos direitos pessoais e intransferíveis.
Não tem alegria que possa vir da espera sem fim que não conduz, não alimenta, não aponta, simplesmente, outro caminhar. Não tem tristeza que chegue para chorar, porque o silencio é divino, é mágico e nos leva à meditação que eclode com a mais bela linguagem possível apenas ser escutada pelo coração.
Não tem dor porque o ocaso já é o limite do ser sem estar, do ver sem olhar, do vir sem chegar, e tudo o mais que não define o verbo, o ser. Não têm encanto os acontecimentos que traem os desejos para atender ao egoísmo de outrem que nãoé mais nem menos do que tu!
Não tem, enfim, começo sem o continuar que assusta em busca dos padrões humanos quase irreversíveis que nos conduz ao final. Não há final para todos que buscam o fiel acontecer da consumação dos momentos e que sempre estarão à espera de alguém que renasce e faz o acontecer brilhante.
E assim escrevi para ti, ocaso da liberdade, fuga do caminho certo, busca do novo renascer que grita e clama por justiça para os desejos nobres, que pouco são entendidos por quem vive em busca da liberdade que só existe para os que não amam!


Judi Menezes
Paz e luz!

21 de mar. de 2012

Eugénio de Andrade - É urgente o amor







Poeta português, nasceu em 19 de Janeiro de 1923 em Póvoa de Atalaia, Fundão, no seio de uma família de camponeses.
A sua poesia caracteriza-se pela importância dada à palavra, quer no seu valor imagético, quer rítmico, sendo a musicalidade um dos aspectos mais marcantes da poética de Eugénio de Andrade, aproximando-a do lirismo primitivo da poesia galego-portuguesa ou, mais recentemente, do simbolismo de Camilo Pessanha.
O tema central da sua poesia é a figuração do Homem, não apenas do eu individual, integrado num coletivo, com o qual se harmoniza (terra, campo, natureza - lugar de encontro) ou luta (cidade - lugar de opressão, de conflito, de morte, contra os quais se levanta a escrita combativa).
A figuração do tempo é, assim, igualmente essencial na poesia de Eugénio de Andrade, em que os dois ciclos, o do tempo e o do Homem, são inseparáveis, como o comprova, por exemplo, o paralelismo entre as idades do homem e as estações do ano. A evocação da infância, em que é notória a presença da figura materna e a ligação com os elementos naturais, surge ligada a uma visão eufórica do tempo, sentido sempre, no entanto, retrospectivamente. A essa euforia contrapõe-se o sentimento doloroso provocado pelo envelhecimemto, pela consciência da aproximação da morte (assumido sobretudo a partir de Limiar dos Pássaros), contra o qual só o refúgio na reconstituição do passado feliz ou a assunção do envelhecimento, ou seja, a escrita, surge como superação possível. Ligada à adolescência e à idade madura, a sua poesia caracteriza-se pela presença dos temas do erotismo e da natureza, assumindo-se o autor como o «poeta do corpo». Os seus poemas, geralmente curtos, mas de grande densidade, e aparentemente simples, privilegiam a evocação da energia física, material, a plenitude da vida e dos sentidos.




Tenho lido , ou melhor me deparado com algumas poesias do Eugénio de Andrade e fico encantada com a sua escrita. E...
Eu sou uma eterna apaixonada por palavras. Música. E pessoas inteiras. Não me importa seu sobrenome, onde você nasceu, quanto carrega no bolso. Pessoas vazias são chatas e me dão sono. Gosto de quem mete a cara, arrisca o verso, desafia a vida....Gosto de abraçar apertado, sentir alegria inteira, inventar mundos, inventar amores. O simples me faz rir, o complicado me aborrece!

Paz e luz!!

Judi Menezes